Dia 04 – Estudos

Estes últimos dias atrasei minhas escritas devido a um favor a duas pessoas: corrigir trabalhos finais de curso. Uma dissertação e um TCC escrito à seis mãos.

Amei muito a dissertação. Sobre Localização. Localização é, na tradução, trazer elementos da cultura do público-alvo para aproximá-lo mais do enredo do jogo, gerando uma espécie de identificação a ponto dele querer jogar e, consequentemente, se dar melhor no jogo. Muito bem escrito.

O TCC, sobre música como meio de inclusão de alunos com TDAH, deixa a desejar. As informações estão lá, mas desconectadas. Parecia que estava sendo feito para cumprir tabela. Uma pena que nos agradecimentos seja dito que essa graduação é a realização de um sonho e a escrita ainda não esteja madura o suficiente.

Eu escolhi falar de estudos porque, de uma vez só, tive de lidar com dois níveis distantes de formação e vi como isso mexe comigo. Eu adoro colação de grau. Choro, me emociono e fico com nó na garganta porque é um feito muito grande concluir o ensino superior. Ser reconhecido como um profissional habilitado a fazer aquilo que foi escolhido como profissão é incrível. A única defesa de mestrado que acompanhei foi a de Diôgo. E foi igualmente incrível. É muita dedicação de tempo e vida naquilo que se propõe a ser feito, e no final ter êxito com elogios e alguns direcionamentos para o futuro é indescritível. As pessoas gostam de ser inteligentes, gostam de serem vistas como pessoas inteligentes e gostam mais ainda de serem reconhecidas como tais.

Pensando no meu percurso formativo, já vi e vivenciei algumas coisas, mas o prazer da conclusão de um curso é a melhor delas. As notas dadas no trabalho final, as falas dos professores, dos colegas, de todos os que estavam envolvidos é muito prazeroso. Entretanto, nada supera a segurança de ter voz firme para falar de quaisquer temáticas com segurança. Ter certeza do que diz porque está baseado em um referencial teórico, e citar essa fonte, é impagável.

Eu espero, de verdade, ver a defesa de Flávia, ver o resultado do TCC dessas meninas, talvez até rever o trabalho delas, e saber que eu pude contribuir para o desenvolvimento dessas pessoas. Talvez tangencie a obrigação de quem tem um nível de escolaridade maior ajudar quem está lutando para chegar aonde chegamos. Penso também no lema feminista que diz “uma sobe e puxa a outra”. Não funciona apenas para mulheres. Funciona para todos.

Acho que no fim das contas é isso. Uma sobe e puxa a outra.

Talvez eu tenha esquecido de reforçar isso na minha cabeça. Não que tenha esquecido de puxar alguém, mas de ver melhor quem precisa ser puxado.

Uma sobe e puxa a outra.
Oferecer ajuda quando achar que posso ajudar.

Acho que ainda cabe falar sobre Alyne.  Alyne é a namorada de Helen e está retomando o curso de pedagogia. EAD da Uninassau. Como esperado, uma zona. Mas melhor fazer do que não fazer. E Alyne já tem discernimento de que ela precisa desse curso pra aprender o necessário e poder ingressar no mercado de trabalho. Com certeza é alguém a se estar junto incentivando e ajudando sempre que necessário.

Alyne disse que gosta do cuidado, da primeira infância, dos pequenos. Alyne não sabe, mas, se ela realmente “meter os peitos”, ela pode ser uma bela pesquisadora. Cuidar de crianças é mais difícil do que parece. Não é só ‘ser babá’, é promover o desenvolvimento e saber indicar o melhor percurso para isso. Eu espero mesmo que ela tenha esse estalo e consiga se sobressair mesmo sendo mãe de três em fases diferentes de desenvolvimento. 

Não esquecer:
Uma sobe e puxa a outra.
Oferecer ajuda quando achar que posso ajudar.

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