Dia 10 - DIAS DOS PAIS sem paz
14/08/2022 - Dia dos pais (Digitando no apartamento 304, alugado, em frente ao nosso, por conta da reforma)
O dia todo de hoje, logicamente, envolveu a temática dia dos pais e, logicamente, de novo, o bombardeio das mensagens, postagens, militâncias e afins. Meu engasgo começa pelo, mais uma vez, silêncio em relação à mainha. Ele não vê, mas eu vejo e sei que ela ignora o fato ele nem ter mencionado onde passou o dia dos pais. Minha leitura é sempre de que ele tem a família dele e a gente é só parente. Eu tô foda-se pra ele, eu tô ligado é nela quem eu sei que queria ter ido ao encontro deleS. E isso é foda porque ninguém deu sequer uma dica de nada. E isso é todo ano.
Esse ano tive uma novidade. Recebi duas fotos que me fizeram perceber quantos anos faz que meu pai faleceu. DEZESSEIS ANOS! Foda foi a forma como a informação chegou: por foto, do túmulo e da placa com a data do enterro. kkkkkkkkkkkkk!
Bicho... BICHO... BICHO! Imagina se eu tivesse na pior, na mágoa, triste? A noção foi embora e não deixou bilhete. E foi Ladjane no Whatsapp e Diego no Instagram. kkkkkkkkkkkkkkk Até pareceu um ataque planejado.
Eu não lembro do meu pai plenamente mais. Lembro dos gostos, do modo de se vestir, da brutalidade em certos aspectos e do afronte a qualqer sinal de frescura. Eu tenho CERTEZA que se fosse vivo as coisas teriam sido diferentes. CER TE ZA! Ele não ia fazer vista grossa para minhas saídas, iria querer saber quem era João, Higgo, Rodrigo, Jorge, Tony, Thiago, Nicholas, Marconi, Marcone, Heitor, Ronaldo, Diôgo, John... Por que sempre homens? E as mulheres? Aline, Andresa, Alessandra, Marcela, Helen, Alyne, Andréa, Natália... Por que nenhuma delas aparece aqui em casa? Meu aniversário seria comemorado onde? Ele queria ir. Queria conhecer as pessoas com quem me envolvo, com quem me relaciono, que compõem meus amigos. Eu tenho certeza absoluta que com ele a fatídica história do filho gay de pais homofóbicos ia se repetir. Bater, eu acho que não. Ele não chegaria a tanto, mas a cena e o teatro existiram com certeza. Ainda mais que antes de falecer, ele inventou de ser evangélico. É por conta dele que eu tenho aversão a evangélicos. Dificilmente eu conseguiria dizer o nome de um que não tenha fugido do meu estranhamento, por menor que tenha sido.
Engraçado que minha fuga do dia dos pais não foi SÓ o almoço com a minha mãe. Eu fui almoçar com ela porque ela deu a dica de querer almoçar fora e de que esperou meu irmão dizer algo, o que ainda não aconteceu. A gente ao Mercado da Boa Vista, comeu arrumadinho de charque, bebeu caipirosca de Cajá e Acerola, ela tomou um quartinho de cachaça bananinha, disse querer voltar ao mercado, de lá fomos a uma cafeteria comer a sobremesa. Minibolo 50% Cacau, capuccino, panqueca doce, café gelado (milkshake). Uma festa. Voltamos, ela foi dormir e tudo certo. A minha fuga de dia dos pais foi com um cara, que também precisava dessa fuga e foi ótimo. Sorveteria, conversar besteira, até uns beijinhos. Se meu pai fosse vivo, talvez isso não tivesse acontecido: almoço secreto, ida ao mercado, à cafeteria, à sorveteria, conversas aleatórias, beijinhos... comemos bem, fizemos fotos, criamos memórias, ainda ganhei um plus na autoestima.
Eu acabei vivendo, vivenciando, e sem precisar de dia dos pais. Nem de um pai vivo.

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