Dia 08 - Impressionantemente difícil de entender
Terça-feira, 12/07/2022, 21:14 (Postado às 22:28)
Hoje eu assisti ao especial de comédia da Bruna Louise na Netflix. Ela fala dos relacionamentos, de pau que não sobe, de vibrador, do abandono e do reencontro com o pai... E das compras feitas para a única sobrinha, que também é afilhada, sob orientação da mãe. É aí que o bicho pega.
Uma vida inteira de ter minhas coisas dadas sem comunicação, sem permissão, sem autrização. Apenas são dadas e MUITO depois comunicadas. Uma vida sendo 'enganado', como se o que fosse meu não me pertencesse de fato. Estamos a ponto de fazer uma reforma no apartamento e veio a pauta da minha roupa que foi dada ao pintor em uma outra reforma. Lembro de, quando criança, ter um boné comprado em um show de Xuxa em Recife e dado ao filho da vizinha sem minha permissão. O tetris que sumiu do nada. Vem em sempre algo se vai sem meu conhecimento ou controle. Agora é com as minhas sobrinhas. Nunca vem, sempre vai. Nunca me é dado, mas sempre me é pedido. Quando não é dito para eu dar sob condições constrangedoras de não conseguir ao menos dialogar sobre o material em questão. Nunca vem, sempre vai.
As relações familiares, e nenhuma, né?, deve ser baseada na expectativa material, mas parar e observar só a entrega e nunca a recepção é de se pensar. Eu achei que não ligaria, mas ouvi uma recusa de ida ao meu aniversário, do meu irmão, e ele ainda ficou chateando minha cunhada para que voltasse logo... Minha mãe nunca questionou. Não na minha frente. Acho que nem se deu ao trabalho.
Dizem que não há preferidos entre os filhos, mas ela já abriu o jogo dizendo que não há preferido, mas há aquele com quem ela se identifica mais. O que mora longe e NUNCA aparece chamando para fazer alguma coisa. NUNCA tem a iniciativa de fazer qualquer convite. Meu incômodo é que a mesma pessoa que bebe TODO FIM DE SEMANA, o FIM DE SEMANA TODO sob a desculpa de que trabalha muito e precisa relaxar, é o mesmo que agora FUMA CACHIMBO! Bicho, tu é pai de santo pra tá fumando cachimbo? Aí é uma preocupação das meninas não virem isso ou aquilo, mas veem o pai bebendo e fumando CACHIMBO!
E ninguém diz nada... N A D A!
Meu incômodo é que a preocupação sempre foi comigo para que eu não beba, não fume, não isso, não aquilo. Um fim de semana que eu saio e acordo de ressaca é um fenômeno da irresponsabilidade. Uma vez na vida que durmo fora de casa, é um fenômeno da falta de comunicação. Eu sempre fico com os atributos, sempre fico com os gastos, sempre fico com as ocupações, sempre fico com as obrigações e ele NADA. Eu falo, reclamo, mostro, listo, mas não sou ouvido. O mínimo de repressão não existe.
Skate, Box de livro, ida ao shopping, ida a lojas, lanches, os raros almoços de domingo, só nas minhas costas. Ele NADA.
Já culpei a heteronormatividade, ja culpei o padrão, já culpei a preferência, já culpei a falta de voz. Não sei mais o que culpar. Eu quem abro mão da minha vida pra ele viver a dele. Pra todo mundo viver suas vidas e eu não viver a minha.
A guinada virá e quem viver verá.
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